“Mas” vs. “E”: a troca que a Terapia Comportamental Dialética propõe

Aline Gomes • 16 de agosto de 2026

Introdução

Você já reparou como uma palavra pequena pode mudar o rumo de uma conversa? A Terapia Comportamental Dialética (DBT) propõe uma substituição simples e poderosa: trocar o "mas" pelo "e". Essa mudança tem potencial para transformar a comunicação, o manejo das emoções e a forma como encaramos conflitos.

 

O que a ciência mais confiável diz sobre essa troca?

 

A proposta de trocar o "mas" pelo "e" está baseada no conceito de dialética, que é o alicerce filosófico da DBT. A dialética parte do princípio de que duas verdades aparentemente opostas podem coexistir, e que a solução para muitos problemas está em integrar essas duas realidades, em vez de escolher uma delas.

Quando usamos "mas", frequentemente anulamos o que veio antes. Dizer "eu gosto de sair com você, mas você sempre se atrasa" coloca a crítica em destaque e minimiza o afeto. O "mas" gera oposição e defensividade. Já o "e" permite que ambas as verdades sejam mantidas: "eu gosto de sair com você e me incomodo quando você se atrasa". Isso reduz a defensividade e abre espaço para o diálogo produtivo.

 

Como isso se traduz no dia a dia?


A prática da troca do "mas" pelo "e" é um exercício de atenção plena à linguagem. Veja exemplos:


Com seu parceiro(a): Em vez de "eu te amo, mas você me irrita", tente "eu te amo e me sinto frustrado(a) quando não sou escutado(a)".

Com seus filhos: Em vez de "você foi bem, mas podia se esforçar mais", diga "você foi bem e acredito que pode ir ainda melhor".

Com você mesmo(a): Em vez de "quero emagrecer, mas é difícil resistir", tente "quero emagrecer e sei que isso é um desafio".


Sinais de alerta:


- Conversas frequentes terminam em tensão ou desentendimento.

- Você se sente incompreendido ou invalidado.

- Tem dificuldade em aceitar que duas verdades opostas coexistem.

- Critica-se com frases como "eu deveria ser melhor, mas não consigo".

 

Perguntas Frequentes

 

DBT é a mesma coisa que TCC?

Não. A DBT é um tipo específico de TCC, criada para desregulação emocional intensa. Ela adiciona ênfase na aceitação, validação e no equilíbrio entre mudança e aceitação.

 

Trocar "mas" por "e" funciona com qualquer pessoa?

Não há garantia, pois cada pessoa reage de forma única. Mas a ciência mostra que essa comunicação reduz defensividade e melhora o diálogo para a maioria.

 

É só substituir a palavra que tudo se resolve?

Não. É uma ferramenta, não uma solução mágica. Requer prática e, muitas vezes, o aprendizado de outras habilidades da DBT.

 

A DBT serve para qualquer problema psicológico?

Foi criada para o transtorno de personalidade borderline, mas pesquisas mostram benefícios para ansiedade, depressão e dificuldades de regulação emocional em geral.

 

O que é aceitação radical?

É uma habilidade central da DBT que envolve aceitar a realidade como ela é, sem lutar contra ela, mesmo quando é dolorosa. Não significa concordar, mas sim parar de lutar contra o que já aconteceu para poder seguir em frente.

 

Conclusão

 

Trocar o "mas" pelo "e" é uma ferramenta simples e transformadora proposta pela DBT. Mais do que uma mudança gramatical, representa uma nova postura diante da vida: reconhecer que duas verdades opostas podem coexistir. Com prática e, quando necessário, orientação profissional, essa habilidade fortalece relacionamentos e promove equilíbrio emocional.

 

Conteúdo produzido por: Aline Gomes, Psicóloga CRP - 06/190242.

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